quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A noite todo herói é covarde

Andava pelas ruas e as luzes apagaram. Resolvo ligar o mp3, pra suavizar os 4km a pé, até em casa, no escuro. Ligo na Tupi, queria ouvir o ultimo jogo do Vasco, sou rubro-negro, mas fico feliz pela volta do clube cruzmaltino, Roberto Dinamite é o Zico deles, merece respeito e um voto de confiança. Dou de ouvidos com um cronista apavorado, Luiz Penido, o jogo ao que parece havia parado, não entendia, o cronista já não falava da partida.

Penido falava agora de um apagão, em todo o Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. Tempestades elétricas no Sul do País. Arrastões em São Paulo e Rio de Janeiro. Acidentes e engarrafamentos pela Linha Amarela e, como de costume, em toda a grande São Paulo. Possíveis acidentes aéreos, fechamento dos aeroportos...

Foi quando, já em estado de apocalipse mental, vi dezenas de pessoas correndo pelas ruas. Transloucadas. Não entendi o motivo, mas corri também.

Corri entre as ruas engarrafadas me enfiando entre os carros. Motoristas saiam dos carros querendo saber o que acontecia, eu respondia "não sei! não sei!". Me enlacei pelas ruas curvas, escuras e vazias correndo 4 km, na chuva até em casa.

Entrei e abracei minha mãe. Contei sobre o apagão. Falei sobre como o mundo estava. As ruas...

Minha mãe orou.

Eu tomei um banho gelado, deitei e liguei o ventilador na tomada esperando que quando a energia retornasse ele ligasse imediatamente aliviando o bafo quente do diabo em meu quarto...